A versão oficiosa dos factos apresentada pela Força Aérea portuguesa é apenas uma: o militar que se enforcou na Base Aérea de Beja em Março de 2015 não era alvo de violência psicológica anti-gay, mas tinha um “historial de depressão”. Fonte próxima do militar garantiu o contrário em 2015: “olhares reprovadores” e “todo o tipo de comentários directos e indirectos” devido aos seus “maneirismos feminismos” terão contribuído para agravar o estado depressivo do militar e foram determinantes para o suicídio.

A investigação à morte de Ricardo Jorge Figueiredo Lopes [na foto] acaba de ser arquivada, noticiou a agência Lusa a 5 de Janeiro. O inquérito, conduzido pelo Ministério Público da Comarca de Beja, com a intervenção da Polícia Judiciária Militar, “foi objecto de despacho de arquivamento”, indicou a Procuradoria-Geral da República.

O suicídio tem sido entendido como consequência de violência anti-gay de que Ricardo Jorge Figueiredo Lopes seria vítima.

Persona Grata sabe que internamente a Força Aérea tem feito prevalecer a tese de que Ricardo Jorge Figueiredo Lopes tinha um historial de depressão, com contexto familiar marcado por alcoolismo e prostituição.

O jovem foi encontrado morto na manhã de 5 de Março de 2015 numa camarata da Base Aérea de Beja. “O corpo da vítima foi encontrado, pendurado, dentro do alojamento masculino”, escreveu o Correio da Manhã.

O militar estava colocado na Base Aérea 6, no Montijo. Em fins de Fevereiro de 2015 foi destacado para a Base Aérea 11, em Beja, para reforçar o contingente desta unidade durante três semanas. Decorria o exercício militar Real Thaw, da NATO, que envolveu forças militares de Portugal, Espanha, da Holanda, Dinamarca e dos EUA.

Ricardo Jorge Figueiredo Lopes era natural do Barreiro, onde nasceu a 27 de Dezembro de 1991. Estava ao serviço da Força Aérea desde Dezembro de 2012, como cozinheiro contratado. Trabalhava na messe geral dos militares da Força Aérea. Em Beja, dividiu camarata com outro militar – que alegadamente não passou ali a noite anterior à descoberta do cadáver.

A estada do militar na cidade alentejana durou cerca de duas semanas. De acordo com o Correio da Manhã, Ricardo Jorge Figueiredo Lopes teria “atingido o seu limite” na madrugada de 5 de Março, depois de uma festa no clube de praças. “Embalados pelo consumo de álcool, os outros militares levaram o gozo ao extremo”, escreveu o jornal, com base em fonte anónima.

Fonte da Força Aérea disse a Persona Grata que Ricardo Jorge Figueiredo Lopes também estava alcoolizado naquela noite.

Transportado para o gabinete de medicina legal do Hospital Distrital José Joaquim Fernandes, em Beja, o corpo do militar foi ali autopsiado a 6 de Março, pelas 14h15, de acordo com o jornal Expresso. Foi sepultado no dia 7 no cemitério de Vilã Chã, concelho do Barreiro.

O mesmo jornal escreveu à época que “nos últimos anos foram registados alguns casos de suicídio entre militares, com recurso quer a ‘armas de serviço’, quer a ‘medicamentos'”, o que terá estado ligado à precária “situação económica” dos militares.

Militares próximos do falecido, ao serviço na Base Aérea de Beja, têm recusado falar com a comunicação social.

Bruno Horta

 

 

 

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