Em mês, como o de Setembro, em que tem lugar o festival de cinema Queer Lisboa, dificilmente uma agenda da “rentrée” pode começar por outro assunto.

O festival assinala duas décadas de existência e tem hoje enorme importância na cidade, mesmo se os cerca de oito mil espectadores por edição, número que se mantém estável ao longo dos anos, é tanto uma vitória quanto uma óbvia dificuldade de crescimento.

A par deste, outros eventos LGBT relevantes podem ser destacadas no fim de Verão de 2016, como sejam o festival “feminista e queer” Rama em Flor e a apresentação na Culturgest de um monólogo de Jonathan Capdevielle.

Por datas, eis o que se poderá ver, e ler, nos próximos tempos.

 

Herdeiro assumido festival feminista norte-americano Ladyfest, aqui com identidade própria, talvez mais adaptada ao contexto lisboeta, surge pela primeira vez, com programação extensa de música, cinema e debates. Iniciativa descrita como “comunitária, feminista e queer”. O mote “Arte e Feminismos” irá juntar à mesma mesa as historiadoras de arte Giulia Lamoni e Margarida Brito Alves, o artista plástico João Pedro Vale, a actriz e performer Mariana Tengner Barros, o crítico Nuno Crespo e a investigadora feminista Shahd Wadi (dia 15, 16h00, ZDB).

 

A 20ª edição do festival internacional de cinema sobre minorias sexuais e de género deverá ficar marcada pela retrospectiva, que decorre na Cinemateca, dedicada ao realizador britânico Derek Jarman (1942-1994), nome consagrado e influente do cinema queer. A película de abertura, dia 16 no São Jorge, é Absolutely Fabulous: The Movie, de Mandie Fletcher, baseada na série da BBC Absolutamente Fabulosas. Nessa mesma noite, também no São Jorge, terá é apresentado pela primeira vez o espectáculo 50. Orlando, ouve, de André Murraças, inspirado pelo massacre na discoteca gay Pulse, nos EUA, ocorrido em Junho último.

 

Festa importada de Espanha, em formato modesto se comparado com o original, estreou-se em Lisboa em Maio de 2014 e regressa agora, depois de alguma edições mais ou menos concorridas. Noite de música house, sempre temática – “Graffiti”, desta vez –, destaca-se pela presença de dançarinos profissionais que animam o público madrugada dentro.

 

Grande Prémio do Festival de Belgrado em 2015, Adeus é um monólogo do actor francês Jonathan Capdevielle, “auto-retrato onde a identidade da personagem se vai revelando: ambivalente, complexa, vulnerável, divertida ou triste, homem ou mulher”, lê-se na sinopse.

 

Integrada na programação do festival Queer Lisboa, a palestra, com entrada livre, “De Brecht a Bruce LaBruce e de volta. Pronta para a minha próxima auto-exposição” será apresentada pela actriz e performer Susanne Sachsse, conhecida por ter entrado em filmes de Bruce LaBruce, um dos fundadores do cinema queer no fim da década de 1980. Susanne Sachsse tem colaborado com artistas como Yael Bartana, Katya Sander ou Vaginal Davis.

 

Estreia portuguesa do novo filme do realizador espanhol, retrato das relações entre os filhos e as mães, tema de sempre em Almodóvar, aqui visto com minúcia. A data anunciada poderá sofrer alterações.


  • Livros a publicar em Setembro

– Tonio Kröger, de Thomas Mann (Dom Quixote)
– Um Percurso Político, de Thomas Mann (Bertrand)
– Mulherzinhas, de Louise May Alcott (Guerra & Paz)

 

  • 1 de Outubro
    Lesboa Party, discoteca Ministerium
    É a festa LGBT mais antiga de Lisboa (sem contar com o Arraial Pride, que se realiza anualmente em fins de Junho, com apoio da Câmara de Lisboa). Assinala uma década de existência. Tema e DJs não são ainda conhecidos, mas é de esperar algum investimento por parte da organização para marcar a data redonda. Para este mesmo dia, outros protagonistas da vida gay nocturna, o colectivo de festas itinerantes Conga Club, anunciaram, por enquanto sem pormenores, o regresso de férias.

 

Exposição de desenho de Thomas Mendonça, sobre os filhos do mundo, rapazes frágeis, guerreiros, divas, bestas. “Estes retratos existem graças a mim e falam de si mesmos, não tem a menor pretensão de se concentrarem em questões de género, nem o título a de remeter para a extrema alegria e boa notícia que é o facto de ser mais um, outra vez, outro boy”, diz a folha de sala. A exposição foi inaugurada a 2 de Agosto.

 

Estreia portuguesa, sem data definida mas anunciada para o último trimestre, do novo filme de Dolan, vencedor, entre outros, do Grande Prémio do Festival de Cannes 2016. Drama familiar, como todos os do realizador canadiano, com Marion Cotillard e Léa Seydoux e Vincent Cassel.

 

  • Livros a publicar em Outubro

– Correspondência, com cartas inéditas trocadas entre Jorge de Sena e Eugénio de Andrade entre 1949 e 1978 (Guerra & Paz)
Inferno, de Bernardo Santareno (E-Primatur)

 

Acontecimento para a comunidade académica, assinala os 40 anos sobre a publicação de A Vontade de Saber, de Michel Foucault, descrita como obra seminal que “trouxe o impulso decisivo ao então emergente campo dos estudos gay e lésbicos, ergueu um dos pilares em que assenta a teoria queer, assim como criou as bases para uma viragem fundamental nos estudos de género”. Da comissão científica destacam-se os nomes de  Ana Cristina Santos, António Fernando Cascais, Daniel Santos Cardoso,  João Manuel Oliveira,  Nuno Carneiro e Sofia Aboim.

 

  • Livros a publicar em Novembro

– E Onde é que Está o Amor?, de Ana Zanatti (Guerra & Paz)
– Poesia Completa, de Eugénio de Andrade, com prefácio de José Tolentino Mendonça (Assírio & Alvim)

 

Notícia actualizada em 11 de Setembro com referência à festa Lesboa de 1 de Outubro.

 

 

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