Habituada a ser Whitney Houston ou Beyoncé em espectáculos de travestismo na noite gay de Lisboa, Jenny Larrue é agora protagonista de um teledisco kitsch da banda portuguesa PISTA. De diva afro-americana a rainha da ginga africana através do tema “A Tal Tropical”.

O teledisco foi publicado na segunda-feira, 22, no YouTube, tendo a gravação decorrido a 5 de Agosto no espaço Rua das Gaivotas 6, em Lisboa. Realização, montagem e direcção de arte têm assinatura de Cláudio Fernandes, um dos membros da banda, e de Marta Leal.

Eis o resultado:

“A Tal Tropical” tem duração de três minutos e 26 segundos. É o terceiro single do álbum Bamboleio, depois de “Puxa” e “Sal Mão”.

Jenny Larrue surge em ambiente de baixo orçamento, com cores quentes e óbvias sugestões visuais africanas. O som faz uma aproximação ao clássico “Turn! Turn! Turn!”, canção do fim da década de 50 que se tornou um êxito na versão dos Birds em 1965.

Os PISTA, naturais do Barreiro, são Bruno Afonso (bateria e voz), Cláudio Fernandes (guitarra e voz) e Ernesto Vitali (guitarra e voz). Praticam “rock tropical e bem-disposto”, na descrição dos próprios, com o objectivo de “levarem o calor do Verão ao resto das estações do ano”.

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Os PISTA são um trio do Barreiro cujo primeiro álbum saiu em 2015 (foto: Vera Marmelo)

Depois do lançamento de um EP em Outubro de 2013, os PISTA apresentaram o primeiro álbum, Bamboleio, em Novembro de 2015. Um artigo então publicado no jornal Público descrevia a música do trio como sendo “bike rock”, ou seja, música para andar de bicicleta, o que diz bem da atitude informal e lúdica que adoptam.

A protagonista do teledisco tem 42 anos e nasceu no Funchal, filha de cabo-verdianos. É transexual e começou a carreira como artista transformista em 1992, na discoteca Finalmente, em Lisboa. Mariah Carey foi das primeiras vozes a que deu corpo e Whitney Houston tornou-se a sua imagem de marca.

Jenny Larrue, nome artístico por vezes grafado com Jenni La Rue, já teve papéis em A Raiz do Coração (2000), de Paulo Rocha, e Morrer Como um Homem (2009), de João Pedro Rodrigues, assim como na série Morangos com Açúcar (2004).

“É misteriosa como uma feiticeira ou uma fada, sempre me fez lembrar as fotografias que Leni Riefenstahl fez em África na tribo dos Nuba, tem uma presença sobre-humana”, disse dela João Pedro Rodrigues.

Foi também protagonista da revista à portuguesa Tropa Fandanga, do colectivo Teatro Praga, apresentada em Fevereiro e Março de 2014 no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

Bruno Horta

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