O rapaz de 34 anos que nasceu em Los Angeles e se mudou para Berlim em 2010 à procura de uma sociedade libertária, para assim poder trabalhar as temáticas queer a tempo inteiro e com liberdade criativa.

Poderia ser este o resumo da vida de Matt Lambert, americano ambicioso e talentoso, voz radical das novas sexualidades, autor de vídeos e fotografias explícitos, quase sempre com adolescentes.

Um novo título de sua autoria acaba de sair: Vitium, publicado pela editora alemã Bruno Gmünder, que o descreve como resultado da colaboração de Matt Lambert e Jannis Birsner, o marido, livro “nascido em Berlim para registar a energia adolescente da cidade no que ela tem de fraterno, íntimo e niilista”.

Vitium, com 56 páginas a preto e branco, apresenta-se como homenagem aos fanzines queercore da década de 1980, à época muito importantes, sobretudo nos EUA, para a divulgação da cultura gay não convencional.

Também conhecido pelo pseudónimo Die Lamb, Matt Lambert divide o tempo entre Berlim, Londres e Nova Iorque à procura do ambiente pós-queer destas cidades, num trabalho de exploração estética em torno da pornografia, prostituição e sexualidade sem barreiras de orientação sexual. A intimidade mediada por computador, ou telemóvel, é outro dos temas que lhe interessam.

É também autor de telediscos para Mykki Blanco, Hercules and Love Affair ou Patrick Wolf e faz fotografia e vídeo para marcas como Gucci, Givenchy ou Marc Jacobs.

Matt Lambert segue a linguagem de criadores como o português radicado em Londres António da Silva, que em anos recentes tem realizado curtas-metragens sobre práticas e fetiches homossexuais; ou o norte-americano Travis Mathews, cuja série de curtas In Their Room mostra a intimidade de homens gay em São Francisco, Londres e Berlim – para citarmos apenas exemplos recentes.

Bruno Horta

 

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