São 12 os filmes de temática LGBT programados para a edição 2016 do festival internacional de cinema independente IndieLisboa, que decorre entre 20 de Abril e 1 de Maio no cinema São Jorge, na Culturgest, no Cinema Ideal e na Cinemateca Portuguesa.

Em rigor, além dos 12 filmes, o IndieLisboa apresenta uma retrospectiva integral do realizador francês Jean-Gabriel Périot, com 28 curtas-metragens, todas sobre questões de identidade e algumas explicitamente gay.

Note-se que aqueles 12 não são exclusivamente sobre pessoas gays, lésbicas, bissexuais ou transgénero, podem apenas incluir personagens que o sejam ou abordagens queer. Merecem destaque particular por ser adquirido que as minorias sexuais se projectam e revêem em objectos artísticos que falam das suas identidades.

Para o registo: em 2015, o IndieLisboa exibiu 26 filmes LGBT; 16 em 2014; 11 em 2013; 14 em 2012; 21 em 2011 – para falarmos apenas das últimas edições. A classificação LGBT é atribuída pelos programadores do festival.

Nesta que é a 13ª edição do festival, destaca-se Desde Allá, do venezuelano Lorenzo Vigas, Leão de Ouro no último Festival de Veneza. Passa na noite de abertura do IndieLisboa, quarta-feira, 20, às 21h30, na Culturgest. É um drama pungente sobre a relação entre um homem de meia-idade e um adolescente que vive nas ruas de Caracas. A velha história da assimetria de poder e do controlo erótico exercido por quem tem mais capital simbólico.

Considerou-se, nos últimos anos, que o cinema LGBT de grande público, fosse “comercial” ou “alternativo”, estava a criar personagens e enredos positivos, em que as minorias sexuais surgiam com quotidianos iguais aos de todas as pessoas (isso nunca foi assim, porque “normal” é conceito elástico, e mesmo o trabalho dos realizadores Andrew Haigh, Travis Mathews ou Ira Sachs só é gay-friendly à vista desarmada).

Ora, Lorenzo Vigas repõe na rua, em registo tormentoso e sem adornos, as relações homoeróticas (não lhes chamemos homossexuais, porque pelo menos uma das personagens rejeita essa identidade, não importa, para o caso, saber os motivos). Vai às classes baixas, recupera a abordagem freudiana da homossexualidade, deixa de parte as personagens alegadamente emancipadas e casadoiras.

Por acaso, ou não, Desde Allá está irmanado com um filme que há poucas semanas se estreou nas salas portuguesas: Boulevard (2014), de Dito Montiel, também conhecido como o último filme de Robin Williams. Em ambos, o monótono homem de meia-idade, e boa situação financeira, cruza-se com o rapaz desenquadrado e problemático. Uns e outros, vivendo uma sexualidade de difícil expressão.

Eis outros filmes LGBT do IndieLisboa 2016:

 

 

 

 

E ainda:

Bruno Horta

 

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