A resposta é velada, mas também óbvia. Depois de ter sido duramente criticada por um conjunto de activistas trans, a associação ILGA – Portugal tem utilizado os seus canais de comunicação na internet para falar da temática trans e mostrar empenhamento, o que pode ser interpretado como uma forma de rebater as críticas.

Na semana passada, três destacadas activistas transgénero portuguesas divulgaram um comunicado que acusa a ILGA de “posições inteiramente contrárias aos princípios dos direitos humanos”, por esta “considerar as pessoas trans como ‘doentes mentais’”.

Segundo Lara Crespo, Eduarda Alice Santos e Júlia Mendes Pereira, a ILGA não tem “presentemente qualquer espécie de legitimidade para falar em nome da comunidade trans”.

Fonte próxima da ILGA garante que o comunicado das activistas tem origem em guerras pessoais e não em divergências políticas.

Oficialmente, a direcção da ILGA não reagiu publicamente nem acedeu ao pedido de esclarecimento enviado por este blogue. No entanto, através da internet, a associação tem vindo a fazer publicações sucessivas sobre a temática trans.

A 22 de Março, no Twitter, a associação partilhou uma notícia sobre duas mulheres transexuais que a ILGA diz ter acompanhado de perto.

A 23 de Março, no Facebook, a ILGA noticiou ter estado reunida com a ministra da Justiça e informou que um dos temas abordados foi o da “urgência de rever o regime de reconhecimento legal do género para pessoas trans”.

Por fim, a 24 de Março, no boletim informativo que a ILGA envia regularmente a subscritores, via correio electrónico, dava-se grande destaque a uma conferência anunciada para 7 de Abril, em Lisboa, durante a qual, diz a ILGA, “serão apresentados os resultados de um estudo alargado de avaliação da lei que permite a mudança de sexo legal e de nome próprio”.

O comunicado das activistas trans circula na internet, mas ainda não deu origem a notícias em órgãos de comunicação social tradicionais. Foi entretanto transformado em petição electrónica, que até ao momento aparenta ter sido subscrita por 90 pessoas, incluindo o académico e activista Daniel Cardoso e a realizadora e activista Raquel Freire.

Bruno Horta

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