Os primeiros filmes do realizador britânico Terence Davies vão estar em destaque na sexta edição do Córtex, festival de curtas metragens de Sintra, que decorre entre 18 e 21 de Fevereiro, no Centro Cultural Olga Cadaval.

Esta quinta-feira, 18, será exibida na sessão de abertura a chamada Trilogia de Terence Davies, composta pelas curtas Children (1976, 44 minutos), Madonna and the Child (1980, 27 minutos) e Death and Transfiguration (1983, 25 minutos).

Os três filmes centram-se na personagem Robert Tucker e na vivência da sexualidade em torno da culpa e do peso da religião, desde a infância até ao fim da vida. Colocaram Davies “no mapa cinematográfico como um dos cineastas britânicos mais originais do final do século XX”, refere em comunicado a organização do festival (a cargo da associação cultural Reflexo e da Câmara Municipal de Sintra).

Sobre Madonna and the Child, o mais óbvio dos três filmes no que respeita à temática homossexual, a sinopse refere: “Retrata um Robert na meia idade, que vive sozinho com a sua mãe e luta contra uma homossexualidade reprimida. Os sentimentos de culpa e vergonha são induzidos por uma educação católica extremamente devota.”

A produtora Claire Barwell, que trabalhou com Davies em Death and Transfiguration,vai estar presente na sessão de abertura do Festival Córtex para uma conversa com o público conduzida por Ricardo Vieira Lisboa, do blogue À Pala de Walsh.

[Entrevista de 2008 em que Terence Davies explica a trilogia]

A exibição desta trilogia no Córtex é tanto mais actual quanto Terence Davies, de 70 anos, acaba de apresentar no Festival de Cinema de Berlim a longa-metragem biográfica A Quiet Passion, sobre a poetisa americana Emily Dickinson.

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Terence Davies

Terence Davies teve uma educação católica, mas abandonou a religião aos 22 anos, quando se apercebeu da sua homossexualidade. “A representação que faz de homens gay e de uma juventude alienada não segue uma linha de estereótipos positivos”, lê-se na enciclopédia GLBTQ. “Muitas vezes, essa representação instila profunda tristeza.”

Em entrevista recente ao Guardian, Terence Davies disse que o catolicismo deixou uma profunda marca negativa na sua personalidade e, talvez por isso, foi-lhe difícil viver como homossexual. “Sempre odiei ser gay, tenho sido celibatário quase toda a vida. Algumas pessoas são boas a fazer sexo, outras não. Sou dos que não são bons. Tenho demasiada auto-consciência”, declarou o realizador.

Bruno Horta

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