Mais de quatro décadas passadas, Linda Nochlin continua a ser reconhecida pelo artigo que publicou em 1971 na revista ARTNews, intitulado “Why Have There Been No Great Women Artists?” – porque é que as mulheres artistas não se tornaram grandes nomes?

O título era uma provocação. O texto, veio a tornar-se canónico, obrigou os historiadores de arte a rever conceitos e deu origem ao que ainda hoje se chama “arte feminista”. “A desvantagem pode ser um desculpa, mas não uma atitude intelectual”, escreveu.

Vem isto explicado em Women Artists – The Linda Nochlin Reader, antologia organizada pela curadora Maura Reilly e publicada em inglês pela Thames & Hudson. O volume, de capa dura e respeitáveis 472 páginas, reúne 30 textos críticos da autoria de Linda Nochlin sobre mulheres artistas, todos saídos entre 1971 e a actualidade.

 

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Women Artists jacket
Capa do livro

Ao que se lê na introdução, os textos são reproduzidos tal como foram dados à estampa, tendo-se mantido falhas e erros de interpretação da autora. Para que a história não seja reescrita, presume-se.

O ensaio de 1971 é um dos estão incluídos. Numa longa entrevista inicial, Linda Nochlin explica a pitoresca circunstância em que lhe ocorreu escrever “Why Have There Been No Great Women Artists?”.

Foi um homem, o galerista Richard Feigen, durante uma cerimónia académica presidida pela feminista ortodoxa Gloria Steinem, quem lhe deu o mote, quando comentou com ela que o trabalho das mulheres não se evidenciava e por isso não aparecia nas galerias de arte. “Nunca tinha pensado nisto antes”, confessa Linda Nochlin.

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“Philip Golub Reclining” (1971), de Sylvia Sleigh. Óleo sobre tela – 106,7X157,5cm (foto: Colecção Privada, Dallas, Texas; Herdeiros de Sylvia Sleigh)

Outros dos textos, este de 1974, é sobre a feminista Sylvia Sleigh (1916-2010) e a pintura “Philip Golub Reclining”, de 1971. A artista “representa-se como activa, vestida, enquanto regista a nudez passiva do modelo masculino perante si”, escreve Linda Nochlin, dando conta da subversão de papéis que o quadro representa. “Para uma pintora contemporânea, a nudez do homem não precisa de ser mais heróica ou menos voluptuosa que a variante feminina”, acrescenta.

Nascida em 1931 numa família judia de Nova Iorque, Linda Nochlin foi professora de Arte Moderna na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Nova Iorque, além de crítica de arte de fôlego. Quem a conhece mal não deveria deixar este livro incólume.

Bruno Horta

 

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